Uma Agenda de Ação para o Desenvolvimento Sustentável – Parte 1: Resumo Executivo

O Conselho de Liderança da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável (SDSN, na sigla em inglês) preparou o relatório Uma Agenda de Ação para o Desenvolvimento Sustentável, o qual foi produzido para o Secretário Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O SDSN inclui entre seus membros Israel Klabin, diretor da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS).

A SDSN foi lançada em 2012 para formular e implantar uma agenda global pós-2015 sobre desenvolvimento sustentável. A SDSN apoia a visão do desenvolvimento sustentável como um conceito holístico que engloba quatro dimensões integradas da sociedade: desenvolvimento econômico (incluindo o fim da pobreza extrema), inclusão social, sustentabilidade ambiental e boa governança, incluindo paz e segurança.

Cinco mudanças farão o período entre 2015 e 2030 diferente do período entre 2000 e 2014: (i) a viabilidade de acabar com a pobreza extrema em todas as suas formas; (ii) um impacto humano drasticamente maior na Terra física; (iii) rápidas mudanças tecnológicas; (iv) crescente desigualdade; e (v) crescente difusão e complexidade de governança.

Os problemas atuais irão se expandir perigosamente sem uma radical e urgente mudança de curso. É preciso que o mundo se afaste da trajetória de Negócios-como-Sempre (NCS) e se direcione a um caminho de Desenvolvimento Sustentável (DS).

Um caminho de desenvolvimento sustentável deve ser baseado em quatro conceitos normativos relacionados: (i) o direito ao desenvolvimento para todos os países; (ii) direitos humanos e inclusão social; (iii) convergência de padrões de vida entre os países; e (iv) responsabilidades compartilhadas e oportunidades.

Deve-se mobilizar o mundo ao redor de um número limitado de prioridades e objetivos associados, provavelmente não mais de dez. O Conselho de Liderança da SDSN identificou os seguintes desafios prioritários:

  • Acabar com a Pobreza Extrema, Incluindo a Fome;
  • Alcançar o Desenvolvimento Dentro dos Limites Planetários, que ajude inclusive a estabilizar a população global até o meio do século;
  • Assegurar Aprendizagem Efetiva para todas as Crianças e Jovens para a Vida e para o Sustento;
  • Alcançar Igualdade de Gênero, Inclusão Social e Desenvolvimento Humano para Todos;
  • Alcançar Bem Estar e Saúde em todas as Idades;
  • Aprimoras os Sistemas de Agricultura e Elevar a Prosperidade Rural;
  • Habilitar Cidades Inclusivas, Produtivas e Resilientes;
  • Frear a Mudança Climática Induzida pelo Homem e Assegurar Energia Limpa para Todos, a fim inclusive de garantir o pico de emissões globais de CO2 até 2020;
  • Assegurar Serviços Ecosistêmicos e Biodiversidade, e Garantir a Gestão Adequada da Água e Outros Recursos Naturais;
  • Transformar a Governança para o Desenvolvimento Sustentável.

Estes 10 desafios do desenvolvimento sustentável devem ser abordados nas escalas global, regional, nacional e local. A partir deles, podem ser construídos objetivos que desencadeiem soluções práticas que governos, empresas e sociedade civil persigam com alta prioridade.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ajudarão o entendimento público sobre os complexos desafios para o desenvolvimento sustentável e servirão como uma chamada à ação para os atores relevantes da sociedade contemporânea. As crianças deverão aprender sobre os ODS para ajudá-las a compreender os desafios que enfrentarão quando adultas. Os ODS servirão ainda para mobilizar no sentido da realização da mensuração e do monitoramento para o desenvolvimento sustentável.

O mundo tem à sua disposição as ferramentas para acabar com a pobreza extrema em todas as suas formas e lidar com os desafios do desenvolvimento sustentável. Se houver mobilização em torno de objetivos bem definidos com cronogramas concretos, mudanças positivas rápidas serão viáveis, graças a melhores receitas financeiras e a progresso científico e tecnológico sem precedentes.

Fonte: SDSN, Uma Agenda de Ação para o Desenvolvimento Sustentável. 6 jun 2013. Disponível em: http://unsdsn.org/wp-content/uploads/2014/02/130619-Uma-Agenda-de-A%C3%A7%C3%A3o-Para-o-Desenvolvimento-Sustent%C3%A1vel-US-LETTER.pdf. Consultado em: 28/08/2016.

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Visitante noturno

Domingo, 21 horas. Estou em meu apartamento, no posto 6 de Copacabana, Rio de Janeiro. Sentado na cama, mexo em alguma coisa distraído, de costas para a janela da sala, que fica de frente para a copa de uma castanheira da rua Joaquim Nabuco. A janela está parcialmente aberta. A luz da sala está apagada. Estão acesos um abajur e a luz do corredor do outro lado da sala.

De repente, percebo umas sombras sobrevoando o ambiente. Viro de costas e vejo de relance um vulto escuro no ar. Penso que se trata de um inseto, provavelmente uma bruxa. Logo me dou conta que o vulto escuro que circula no ar é muito maior que uma bruxa. Trata-se de um morcego adulto, parrudo e saudável.

Grito um palavrão e me deito na cama. Vejo-o girar uma vez em volta da sala, passar perto da abertura da janela e não sair para a rua. Ele dá uma segunda volta na sala. Seu voo é suave, certeiro e silencioso. É ágil, mas não é veloz em demasia. Aproxima-se simetricamente das paredes e dá voltas em velocidade quase constante. Não emite praticamente som nenhum.

Após a terceira volta da morcego pela sala, esgueiro-me até o abajur e o apago, na esperança de que isso contribua para que ele saia pela janela do apartamento para a rua. Ainda mais uma volta pela sala e nada dele sair. Começo a abrir o cobertor para enrolá-lo nas minhas costas antes de levantar com a intenção de apagar a luz do corredor. Mais uma  vez, a ideia era que, com as luzes apagadas, ele encontrasse a saída para a rua pela janela mais facilmente.

Não foi necessário. Após um último giro pela sala, o visitante noturno saiu suavemente pela janela, tão sorrateiramente quanto entrou.

 

 

 

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15 táxis elétricos circulam pelas ruas do Rio de Janeiro

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15 táxis elétricos do modelo Nissan Leaf, com emissão zero de gases de efeito estufa, circulam pelas ruas do Rio de Janeiro, fruto de uma parceria entre Nissan, Petrobrás e Prefeitura do Rio. As fotos acima foram tiradas na manhã de hoje na avenida Nossa Senhora de Copacabana. Existem outras iniciativas em andamento para ampliar o transporte de veículos de passeio e coletivos movidos a eletricidade no Rio de Janeiro.

Para saber mais, clique nos links: 1. 2. 3. 4. 5.

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Morreu Oldair Barchi, capitão do Galo campeão brasileiro de 1971

Oldair Barchi, campeão brasileiro de 1971 pelo Atlético Mineiro, faleceu, aos 75 anos, de câncer de pulmão. Foi o capitão do Galo campeão em 1971, um dos líderes do time em campo e figura marcante desta conquista. No primeiro jogo do triangular final que decidiu o campeonato, marcou o gol da vitória de 1 a 0 sobre o São Paulo em uma cobrança de falta. Oldair jogou no Palmeiras, Fluminense, Vasco, Atlético Mineiro, entre outros.

Conheci Oldair quando eu escrevia um livro sobre o campeonato brasileiro de 1971, lançado em 2012. Entrevistei-o em seu apartamento, em um bairro da região da Pampulha, em Belo Horizonte. Ele morava com a mulher, tinha filhos e netos. Oldair me contou que conheceu sua esposa quando jogava no Fluminense. Ela também era atleta do clube carioca.

O apartamento do casal é uma cobertura muito ampla e agradável. No terraço, há uma pequena confecção da família. Oldair aparentava estar em boa forma física. Lúcido, vívido e bem humorado. Oldair fumava muito. Fumou vários cigarros durante o tempo em que estive em seu apartamento. Fumava desde o tempo de jogador.

A torcida atleticana será sempre grata a ele, Oldair Barchi, o eterno capitão do Galo.

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Arquivado em 1971 - O Ano do Galo, Esporte, Futebol

Jornal canadense “The Globe and Mail” cita declarações minhas sobre Aécio e sobre o vídeo “Liberdade, essa palavra” em perfil do tucano

O jornal canadense “The Globe and Mail” publicou na sexta-feira, 24 de outubro, antes das eleições, portanto, um perfil do então candidato à presidência da República, Aécio Neves (PSDB), de autoria da premiada repórter internacional Stephanie Nolen. Ela me citou como fonte em declaração sobre a carreira política de Aécio e transcreveu declarações minhas sobre o vídeo “Liberdade, essa palavra”, de minha autoria.

Conversei com Nolen por telefone e concedi a entrevista em inglês. Não creio que tenha falado exatamente as palavras que ela atribuiu a mim, mas transcrevo e comento abaixo os trechos em que fui citado:

The Globe and Mail: “Everyone knew he would run for president, it’s like it was in his DNA,” said Marcelo Baeta, who made a documentary about Mr. Neves when he was a governor. “It was his destiny – the elite, the owners of industry and important economic sectors have been engaged in this project since [he got into politics].”

Eu disse a Nolen que todos sabiam que Aécio concorreria à presidência a partir do momento em que ele foi eleito governador de Minas Gerais, em 2003, até porque era claro que o grupo político dele tinha esse projeto. Disse ainda que houve uma adesão maciça de grupos políticos e econômicos tradicionais ao projeto presidencial de Aécio, desde então, principalmente em Minas Gerais.

A questão do DNA tem a ver com o fato de ele ser neto de Tancredo, que foi eleito presidente indiretamente, na redemocratização, mas morreu antes de assumir o cargo. Aécio começou na política com a avô, trilhou uma carreira política própria e tinha (ou tem) uma certa aura de “príncipe” que um dia seria alçado ao “trono”, para cumprir a sina da família de ocupar o cargo máximo da República, não consumada por Tancredo.

The Globe and Mail: The Brazilian private sector is backing him. But critics say Mr. Neves exaggerates his successes. (…) Yet those issues did not get close scrutiny in Minas Gerais, which Mr. Baeta, the filmmaker, attributes to the Neves administration’s intense manipulation of the press: outlets that did favourable coverage were rewarded with fat government advertising contracts, while those that were critical got angry visits from senior Neves aides. Reporters who did critical investigations in the early Neves government years were fired, he said, and those investigations stopped – which helped with the massive popularity rating. Mr. Neves‘ public image is carefully managed by his sister, Andrea Neves, his confidante and chief political strategist, who by all accounts is less able to let criticism roll over than he is.

Eu nunca afirmei nada sobre intensa manipulação da imprensa pelo governo Aécio. Meu vídeo não emitiu posicionamento editorial. São os entrevistados que relacionaram suas demissões com a publicação de notícias que teriam desagradado o governo Aécio. Foi também um entrevistado do vídeo, o então presidente do sindicato dos jornalistas mineiro, Aloísio Nunes, quem disse que havia corresponsabilidade entre o governo mineiro e os donos de veículos de comunicação pela não publicação de notícias criticas ao governo do tucano.

O objetivo principal do vídeo foi apurar a suposta relação entre as demissões de jornalistas com a publicação de notícias críticas ao governo Aécio, algo que os próprios demitidos e o sindicato dos jornalistas alegaram que teria ocorrido. Não afirmei nada quanto a uma possível relação entre isso e os gastos publicitários do governo, apesar de os entrevistados terem falado, eventualmente, sobre o assunto publicidade governamental.

O que falei para Nolen é que, por um lado, o governo Aécio tinha – e assumia que tinha – uma postura dura e atuante em relação à imprensa, no sentido de exigir sempre a divulgação do posicionamento do governo em assuntos a ele relacionados; e, por outro lado, que havia um investimento maciço em publicidade por parte do governo, o que alcançou seu ápice na campanha do “Déficit Zero” e do “Choque de Gestão”.

Quanto à afirmação de que sua irmã Andrea Neves seria menos propensa do que o próprio Aécio a aceitar o fluxo de críticas ao governo ao longo do tempo, discordo. Primeiro, porque o governador era ele. As críticas, abafadas ou não, foram a ele e ao governo dele. Quem foi eleito pelo povo para conduzir o governo foi ele. Não pode haver terceirização de responsabilidades quanto a isso.

Em segundo lugar, o próprio Aécio chamou para si a responsabilidade pela postura dura e atuante de seu governo em relação à imprensa, o que ocorreu nas declarações feitas por ele à revista “piauí”, de junho deste ano:

piauí: (…) É”primário, ridículo, absurdo” pensar que ele ou Andrea ordenem demissões, me disse Aécio. Alegou ser um dos personagens políticos “mais atacados pessoalmente e de forma leviana” pela mídia que é “sustentada com recursos do governo federal”. E completou: “Nunca liguei para diretor de jornal para criticar jornalista, quanto mais para pedir demissão. Eu posso até ligar para o jornalista e dizer: ‘Olha, está errada essa tua informação.’ Isso eu faço. Mas ligar porque o cara publicou algo contra mim? Zero”, finalizou, já com o tom de voz normalizado.

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“Folha de São Paulo” publica minha resposta a perfil de Andrea Neves

Resposta publicada pela "Folha" a perfil de Andrea Neves

Resposta publicada pela “Folha” a perfil de Andrea Neves

A “Folha de São Paulo” publicou em 17/10 minha resposta ao perfil de Andrea Neves, de autoria da jornalista Daniela Lima, de 13/10. Andrea é irmã do candidato à presidência da República, Aécio Neves (PSDB). Transcrevo a seguir um trecho do perfil de Andrea publicado pela “Folha”:

“A atuação no governo mineiro colocou Andrea em rota de colisão com os opositores de Aécio, que a acusam de ter praticado censura ao pressionar veículos de comunicação para que não publicassem reportagens desfavoráveis ao irmão.” Em seguida, a matéria faz referência a “documentários disponíveis na internet” e apresenta informações que dizem respeito ao vídeo-documentário “Liberdade, essa palavra”, de minha autoria, sem mencionar o nome do vídeo nem o de seu autor. Além disso, a matéria apresenta informações improcedentes quanto à repercussão do “Liberdade, essa palavra”. Transcrevo abaixo o trecho seguinte do perfil de Andrea Neves publicado pela “Folha”:

“Documentários disponíveis na internet reúnem depoimentos de jornalistas que dizem ter sido demitidos após ela se queixar a seus chefes. Aliados de Andrea produziram um outro filme, em alguns desses jornalistas (sic) negam o depoimento e dizem que as falas foram editadas.”

Transcrevo abaixo minha resposta, que foi publicada em 17/10 pela “Folha”:

“Sobre perfil de Andrea Neves (“Assunto de família”, “Eleições 2014″, 13/10), esclareço que é de minha autoria o documentário “Liberdade, essa palavra”, de 2006, no qual jornalistas relacionam suas demissões com a divulgação de notícias que teriam desagradado ao governo Aécio Neves, em Minas, em seu primeiro mandato (2003 a 2006). No vídeo-resposta produzido pela campanha para reeleger Aécio, em 2006, Marco Nascimento e Ugo Braga não negaram seus depoimentos nem disseram que suas falas foram editadas no “Liberdade, essa palavra”. Em 5/9/2006, a Folha publicou texto no qual Nascimento reiterou tudo o que havia me dito. Marcelo Baêta (Rio de Janeiro, RJ).”

Diferentemente do publicado na versão impressa da “Folha”, reproduzida na foto acima, na versão digital do jornal há a seguinte resposta da jornalista Daniela Lima: “No vídeo-resposta, os dois jornalistas isentam o governo mineiro de responsabilidade por suas demissões, contrariando a tese do documentário de Baêta”.

Fiz o documentário para apurar uma suposta interferência do governo Aécio na imprensa, em seu primeiro mandato como governador de Minas (2003/2006), que teria, inclusive, redundado na demissão de jornalistas. Realizei uma pesquisa jornalística aprofundada e expus o resultado da minha apuração. Marco Nascimento me disse que, quando era diretor de jornalismo da TV Globo Minas, Andrea Neves reclamou com ele e com a direção nacional de jornalismo da TV Globo no Rio de Janeiro quanto à publicação de matérias críticas ao governo Aécio pela TV Globo Minas. Nascimento contou que, depois disso, foi demitido. Ugo Braga me contou que foi demitido do cargo de editor de Economia do jornal “Estado de Minas” no dia em que publicou uma nota crítica ao governador Aécio Neves, porque essa nota teria desagradado o diretor executivo do jornal.

A jornalista Daniela Lima destacou em sua resposta à minha carta publicada pela “Folha” que, no vídeo-resposta produzido pela campanha para reeleger Aécio, em 2006, Nascimento e Braga isentaram o governo Aécio de responsabilidade por suas demissões. Ocorre que, em 5/9/2006, quatro dias depois da publicação do vídeo-resposta, Nascimento reiterou à “Folha” tudo o que havia me dito.

O vídeo-resposta mente ao dizer que as entrevistas não foram autorizadas. A campanha de Aécio em 2006 mentiu ao chamar o “Liberdade, essa palavra” de “vídeo do PT”. Não tenho nem nunca tive vinculação político-partidária. Fiz o vídeo para defender o princípio da liberdade de expressão. Paguei todo o custo de produção do vídeo do meu bolso. Não ganhei um real por tê-lo feito.

Nascimento e Braga isentaram o governo Aécio de responsabilidade por suas demissões em depoimentos à campanha para reeleger Aécio, em 2006, que os procurou para produzir o vídeo-reposta ao “Liberdade, essa palavra”. Como será que foi a abordagem da campanha para reeleger Aécio, em 2006, a Nascimento e Braga, que os levou a isentar o governo Aécio de participação em suas demissões? É possível que tenham dito a Nascimento e Braga que eles não tinham provas da participação do governo Aécio na demissão deles? É possível que eles tenham ficado com medo de serem processados? Por que Braga inicia seu depoimento ao vídeo-resposta dizendo que o prestou “voluntariamente”? Não sei se a jornalista Daniela Lima sabe disso, mas, quando gravou o depoimento para o vídeo-resposta, Ugo Braga trabalhava no jornal “Correio Brazieliense”, cujo diretor executivo é o mesmo do “Estado de Minas”, uma vez que os dois jornais pertencem aos “Diários Associados”.

As informações ditas a mim por Nascimento e Braga – e confirmadas por Nascimento à “Folha” – são contraditórias com, posteriormente, eles terem afirmado no vídeo-resposta que isentam o governo Aécio de responsabilidade por suas demissões? Não é salutar para o jornalismo que sejam feitas afirmações simplistas sobre temas complexos. Seria melhor se o jornalismo fizesse apurações aprofundadas para sanar as aparentes contradições e procurar entender melhor as nuances de temas complexos de relevante interesse público.

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NaMariaNews apresenta informações improcedentes sobre o vídeo “Liberdade, essa palavra”

O blog NaMariaNews publicou em 15/10 um artigo sobre suposta censura à imprensa no governo Aécio Neves durante seu mandato como governador de Minas Gerais, de 2003 a 2010. O artigo apresenta algumas informações improcedentes a respeito do video-documentário “Liberdade, essa palavra”, de minha autoria. A seguir transcrevo, em itálico e negrito, trechos do artigo publicado no NaMariaNews. Em seguida, comento os trechos destacados:

1) NaMariaNews: Graças ao Marco Nascimento temos o primeiro, senão um dos primeiros, vídeos comprovando publicamente a índole vingativa dos irmãos Neves.

Existem dois vídeos sobre a suposta intervenção do governo Aécio na imprensa para impedir a divulgação de notícias críticas e/ou negativas ao governo Aécio ou à figura do governador, que teria redundado, inclusive, na demissão de jornalistas. “Liberdade, essa palavra”, de 2006; e “Gagged in Brazil”, de 2008, que é uma espécie de vídeo sobre o vídeo “Liberdade, essa palavra”.

Não é graças ao Marco Nascimento que o “Liberdade, essa palavra” existe. O vídeo foi dirigido, escrito e produzido por mim. Foram quatro os jornalistas entrevistados que relacionaram suas demissões com a publicação de notícias que teriam desagrado o governo Aécio. Se houvesse sido dito que a entrevista do Marco Nascimento é a principal do vídeo seria plenamente aceitável.

2) NaMariaNews: Foi entrevista concedida a um aluno de jornalismo da UFMG (Marcelo Baêta), feita no quintal do Marco, sob um belo pé de acerola. Chama-se Liberdade, essa palavra – parte 1. Na parte 2, Baêta mostra como ficaram favoráveis as notícias sobre o governo Aécio, após os métodos enfáticos da Sra. Andrea.

Existe apenas um vídeo “Liberdade, essa palavra”. Foi postado em duas partes porque o arquivo digital que tenho está em duas partes. Concordo que é melhor que o vídeo seja postado em uma só parte e irei providenciar sua publicação em uma só parte assim que possível. Já existem outras postagens do vídeo em uma só parte, mas é importante que haja uma postada por mim, pois já foram tiradas postagens do meu vídeo do Youtube por alegação de infringência a direitos autorais. Se tirarem um vídeo postado por mim, irei até as últimas consequências contra o que seria uma violação ao meu direito de liberdade de expressão.

3) NaMariaNews: O vídeo foi feito para um trabalho escolar, em 2005. Baêta assinou um documento dizendo que o material seria usado apenas no contexto de sala de aula, na conclusão do curso na faculdade. O autor também afirmava não tê-lo postado no YouTube. Então quem foi?

Não assinei documento nenhum dizendo que o vídeo seria usado apenas no contexto de sala de aula. O que fiz foi notificar extrajudicialmente todos os adversários do Aécio Neves em sua bem sucedida campanha à reeleição em 2006 desautorizando-os a utilizar o vídeo na propaganda eleitoral gratuita, e reafirmando o caráter jornalístico do “Liberdade, essa palavra”.
O candidato do PT ao governo de Minas, em 2006, Nilmário Miranda, fez um programa eleitoral na televisão sobre a suposta censura à imprensa em Minas pelo governo Aécio. Mostrou e leu trechos de matéria da “Folha” sobre o embate entre meu vídeo e o vídeo-reposta feito pela campanha para reeleger o governador Aécio. Mostrou trechos da entrevista do jornalista Kajuru ao programa do Clodovil, exibido no meu vídeo. A campanha do Nilmário me procurou, mas me neguei a dar entrevista para o programa eleitoral dele na televisão.

Não fui o primeiro a postar o vídeo no Youtube, no qual foi postado em 24 de agosto de 2006, provavelmente a partir de DVD’s que distribuí aos participantes da minha banca de defesa do TCC. Em 25 de agosto, postei o vídeo no Google Vídeo, que foi extinto após a aquisição do Youtube pelo Google.

4) NaMariaNews: Quando foi originalmente postado (início de 2006), não havia as edições que aparecem atualmente. Era somente o Marco Nascimento falando. Pessoalmente, achava melhor, mais lógico, claro e contundente. Não dava margem a desmentidos, desculpas e desditos. (…) Quem viu o filme do Marco Nascimento na íntegra, sem as atuais adições/edições, como foi feito anos atrás, como eu e muitos outros amigos vimos, sabem o que ele falou e como falou.

O vídeo foi postado pela primeira vez em 24 (no Youtube) e 25 (no Google Vídeo) de agosto de 2006. É completamente inverídica a afirmação de que havia versões anteriores do “Liberdade, essa palavra”. Nunca houve uma versão em que “era somente o Marco Nascimento falando”. Fantasia pura. O que o Marco Nascimento falou, e reiterou que falou, está no “Liberdade, essa palavra”. O primeiro e único. O resto é conversa pra boi dormir.

5) NaMariaNews: Mas o que houve com o original? Sumiram com ele do ar. A desculpa: “reivindicação de direitos autorais”, como se a obra não fosse do autor.

De fato, no início de 2014, houve uma investida no Youtube que tirou do ar postagens do “Liberdade, essa palavra” e do “Gagged in Brazil”. Falo pelo meu vídeo. No caso do “Liberdade, essa palavra”, são inverídicas e inexistentes as supostas alegações de infringência a direitos autorais, as quais, segundo o Youtube, foram a razão para tirar essas postagens do ar.

Assim que fiquei sabendo dessa investida, postei o “Liberdade, essa palavra”, em duas partes, no Youtube, numa conta em meu nome. Como disse antes, se essas postagens saírem do ar, defenderei até as últimas consequências meu direito de exibí-lo, fundado na liberdade de expressão assegurada a todo cidadão brasileiro.

Segue o link para o artigo postado no blog NaMariaNews: http://namarianews.blogspot.com/#ixzz3GF3EcRUc

O site “Vi o Mundo” republicou o artigo do NaMariaNews:

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