Aécio Neves e o vídeo “Liberdade, essa palavra” na piauí

Com algum atraso, venho registrar as referências feitas ao vídeo-documentário “Liberdade, essa palavra”, de minha autoria, no longo perfil do candidato à presidência da República, Aécio Neves (PSDB), na revista piauí do mês de junho, escrito pela repórter Malu Delgado.

A matéria se refere ao “filme de Baêta”, ao “documentário de Baêta”, mas não cita o nome do vídeo-documentário “Liberdade, essa palavra”. Certamente foi um esquecimento da repórter. Malu Delgado me ligou duas vezes no mesmo dia e conversou comigo sobre o vídeo antes da publicação da reportagem.

O vídeo-documentário “Liberdade, essa palavra” trata da relação de Aécio Neves com a imprensa em seu primeiro mandato como governador de Minas Gerais (2003/2006). O governo Aécio teria atuado no sentido de impedir a publicação de notícias críticas e negativas ao governo e ao governador. A interferência do governo de Minas teria redundado na demissão de jornalistas, em 2003 e 2004.

Liberdade, essa palavra” e “Gagged in Brazil”.

Na reportagem da piauí, Malu Delgado falou sobre o vídeo “Liberdade, essa palavra” e, em seguida, sobre o vídeo “Gagged in Brazil” (Mordaça no Brasil), de Daniel Florêncio, sobre o qual registrou que reproduziu as histórias relatadas no “Liberdade, essa palavra” e coletou depoimentos de jornalistas que pediram o anonimato.

Aécio Neves.

Na sequência da reportagem, Malu Delgado expôs os pontos de vista dos irmãos Aécio e Andrea Neves sobre o assunto. Como o candidato a presidente é Aécio, reproduzo primeiro a posição do senador:

piauí: O tema, no entanto, tira Aécio de seu habitual bom humor. Ao comentar o assunto, foi um dos raros momentos em que ele elevou o tom de voz. “Desde que eu nasci eu ouço essa história de que a imprensa mineira é complacente. Isso é dito principalmente por quem não lê a imprensa mineira”, disse. “Os mineiros também são críticos e censura é uma lenda urbana”, prosseguiu, passando a analisar o comportamento dos três principais jornais do estado: “O Tempo me critica mais que a imprensa nacional; o Hoje em Dia nem conta porque é menorzinho; e o Estado de Minas sempre teve posição pró-governo pelo seu tipo de jornalismo, que não é um jornalismo de questionamento.

(…) É”primário, ridículo, absurdo” pensar que ele ou Andrea ordenem demissões, me disse Aécio. Alegou ser um dos personagens políticos “mais atacados pessoalmente e de forma leviana” pela mídia que é “sustentada com recursos do governo federal”. E completou: “Nunca liguei para diretor de jornal para criticar jornalista, quanto mais para pedir demissão. Eu posso até ligar para o jornalista e dizer: ‘Olha, está errada essa tua informação.’ Isso eu faço. Mas ligar porque o cara publicou algo contra mim? Zero”, finalizou, já com o tom de voz normalizado.

Andrea Neves.

Reproduzo, agora, o ponto de vista de Andrea Neves, irmã de Aécio, sobre o assunto:

piauí: Andrea Neves considera estapafúrdias as acusações. Quando conversamos, ela me adiantou que não falaria sobre esse tema – já havia acumulado um desgaste pessoal excessivo, tantas eram as informações infundadas. Para a família, a intriga da censura é o único discurso que a oposição encontrou para macular a imagem de Aécio.

Jornalistas demitidos.

A reportagem da piauí também ouviu Ulisses Magno, um dos entrevistados do “Liberdade, essa palavra”:

piauí: O jornalista esportivo Ulisses Magno, que é mencionado no documentário de Baêta, hoje trabalha na Record do Rio. (…) “Me demitiram por causa pelo episódio. Mas não posso jogar pedras nem acusar. O que eu sei é que esse governo investe bastante em publicidade e existe patrulhamento sobre o que se diz ou não”, sustentou Magnus, numa rápida conversa por telefone. Despediu-se de forma curiosa: “Cuidado aí, só isso.”

Malu Delgado tentou, mas não conseguiu falar com Marco Nascimento:

piauí: Agora chefe de redação do SBT, o jornalista não retornou os contatos telefônicos feitos por piauí.

Dono de jornal.

A reportagem ouviu ainda Vittório Medioli, dono do jornal “O Tempo”. A postura de fiscalização do poder que “O Tempo” tem exercido em relação ao governo de Minas e ao senador Aécio Neves é recente. Não remonta ao período em que Aécio foi governador de Minas. “O Tempo” ganhou maior relevância na imprensa mineira na esteira do sucesso do jornal popular “Super Notícia”, que também pertence a Medioli:

piauí: (…) Medioli me disse que seu jornal atua com independência e critica todas as esferas de governo. “Aécio Neves se mostrou várias vezes incomodado, mas não mudamos nossa atitude.” Acrescentou que o senador cultiva uma relação pessoal e intensa com a imprensa – “uma importância talvez excessiva” – que lhe permitiu ter “trânsito privilegiado”em alguns veículos. Disse ainda que a assessoria de Aécio é rápida nas respostas, sobretudo em momentos de crise. “Ele é muito solícito e preocupado em não deixar que prosperem dúvidas a respeito da imagem dele. É muito persistente em exigir que a versão dele apareça.” Aécio “conhece o processo midiático como poucos políticos”, enfatizou Medioli.

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Arquivado em Mídia, Política

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