“Folha de São Paulo” publica minha resposta a perfil de Andrea Neves

Resposta publicada pela "Folha" a perfil de Andrea Neves

Resposta publicada pela “Folha” a perfil de Andrea Neves

A “Folha de São Paulo” publicou em 17/10 minha resposta ao perfil de Andrea Neves, de autoria da jornalista Daniela Lima, de 13/10. Andrea é irmã do candidato à presidência da República, Aécio Neves (PSDB). Transcrevo a seguir um trecho do perfil de Andrea publicado pela “Folha”:

“A atuação no governo mineiro colocou Andrea em rota de colisão com os opositores de Aécio, que a acusam de ter praticado censura ao pressionar veículos de comunicação para que não publicassem reportagens desfavoráveis ao irmão.” Em seguida, a matéria faz referência a “documentários disponíveis na internet” e apresenta informações que dizem respeito ao vídeo-documentário “Liberdade, essa palavra”, de minha autoria, sem mencionar o nome do vídeo nem o de seu autor. Além disso, a matéria apresenta informações improcedentes quanto à repercussão do “Liberdade, essa palavra”. Transcrevo abaixo o trecho seguinte do perfil de Andrea Neves publicado pela “Folha”:

“Documentários disponíveis na internet reúnem depoimentos de jornalistas que dizem ter sido demitidos após ela se queixar a seus chefes. Aliados de Andrea produziram um outro filme, em alguns desses jornalistas (sic) negam o depoimento e dizem que as falas foram editadas.”

Transcrevo abaixo minha resposta, que foi publicada em 17/10 pela “Folha”:

“Sobre perfil de Andrea Neves (“Assunto de família”, “Eleições 2014″, 13/10), esclareço que é de minha autoria o documentário “Liberdade, essa palavra”, de 2006, no qual jornalistas relacionam suas demissões com a divulgação de notícias que teriam desagradado ao governo Aécio Neves, em Minas, em seu primeiro mandato (2003 a 2006). No vídeo-resposta produzido pela campanha para reeleger Aécio, em 2006, Marco Nascimento e Ugo Braga não negaram seus depoimentos nem disseram que suas falas foram editadas no “Liberdade, essa palavra”. Em 5/9/2006, a Folha publicou texto no qual Nascimento reiterou tudo o que havia me dito. Marcelo Baêta (Rio de Janeiro, RJ).”

Diferentemente do publicado na versão impressa da “Folha”, reproduzida na foto acima, na versão digital do jornal há a seguinte resposta da jornalista Daniela Lima: “No vídeo-resposta, os dois jornalistas isentam o governo mineiro de responsabilidade por suas demissões, contrariando a tese do documentário de Baêta”.

Fiz o documentário para apurar uma suposta interferência do governo Aécio na imprensa, em seu primeiro mandato como governador de Minas (2003/2006), que teria, inclusive, redundado na demissão de jornalistas. Realizei uma pesquisa jornalística aprofundada e expus o resultado da minha apuração. Marco Nascimento me disse que, quando era diretor de jornalismo da TV Globo Minas, Andrea Neves reclamou com ele e com a direção nacional de jornalismo da TV Globo no Rio de Janeiro quanto à publicação de matérias críticas ao governo Aécio pela TV Globo Minas. Nascimento contou que, depois disso, foi demitido. Ugo Braga me contou que foi demitido do cargo de editor de Economia do jornal “Estado de Minas” no dia em que publicou uma nota crítica ao governador Aécio Neves, porque essa nota teria desagradado o diretor executivo do jornal.

A jornalista Daniela Lima destacou em sua resposta à minha carta publicada pela “Folha” que, no vídeo-resposta produzido pela campanha para reeleger Aécio, em 2006, Nascimento e Braga isentaram o governo Aécio de responsabilidade por suas demissões. Ocorre que, em 5/9/2006, quatro dias depois da publicação do vídeo-resposta, Nascimento reiterou à “Folha” tudo o que havia me dito.

O vídeo-resposta mente ao dizer que as entrevistas não foram autorizadas. A campanha de Aécio em 2006 mentiu ao chamar o “Liberdade, essa palavra” de “vídeo do PT”. Não tenho nem nunca tive vinculação político-partidária. Fiz o vídeo para defender o princípio da liberdade de expressão. Paguei todo o custo de produção do vídeo do meu bolso. Não ganhei um real por tê-lo feito.

Nascimento e Braga isentaram o governo Aécio de responsabilidade por suas demissões em depoimentos à campanha para reeleger Aécio, em 2006, que os procurou para produzir o vídeo-reposta ao “Liberdade, essa palavra”. Como será que foi a abordagem da campanha para reeleger Aécio, em 2006, a Nascimento e Braga, que os levou a isentar o governo Aécio de participação em suas demissões? É possível que tenham dito a Nascimento e Braga que eles não tinham provas da participação do governo Aécio na demissão deles? É possível que eles tenham ficado com medo de serem processados? Por que Braga inicia seu depoimento ao vídeo-resposta dizendo que o prestou “voluntariamente”? Não sei se a jornalista Daniela Lima sabe disso, mas, quando gravou o depoimento para o vídeo-resposta, Ugo Braga trabalhava no jornal “Correio Brazieliense”, cujo diretor executivo é o mesmo do “Estado de Minas”, uma vez que os dois jornais pertencem aos “Diários Associados”.

As informações ditas a mim por Nascimento e Braga – e confirmadas por Nascimento à “Folha” – são contraditórias com, posteriormente, eles terem afirmado no vídeo-resposta que isentam o governo Aécio de responsabilidade por suas demissões? Não é salutar para o jornalismo que sejam feitas afirmações simplistas sobre temas complexos. Seria melhor se o jornalismo fizesse apurações aprofundadas para sanar as aparentes contradições e procurar entender melhor as nuances de temas complexos de relevante interesse público.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Mídia, Política

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s