Jornal canadense “The Globe and Mail” cita declarações minhas sobre Aécio e sobre o vídeo “Liberdade, essa palavra” em perfil do tucano

O jornal canadense “The Globe and Mail” publicou na sexta-feira, 24 de outubro, antes das eleições, portanto, um perfil do então candidato à presidência da República, Aécio Neves (PSDB), de autoria da premiada repórter internacional Stephanie Nolen. Ela me citou como fonte em declaração sobre a carreira política de Aécio e transcreveu declarações minhas sobre o vídeo “Liberdade, essa palavra”, de minha autoria.

Conversei com Nolen por telefone e concedi a entrevista em inglês. Não creio que tenha falado exatamente as palavras que ela atribuiu a mim, mas transcrevo e comento abaixo os trechos em que fui citado:

The Globe and Mail: “Everyone knew he would run for president, it’s like it was in his DNA,” said Marcelo Baeta, who made a documentary about Mr. Neves when he was a governor. “It was his destiny – the elite, the owners of industry and important economic sectors have been engaged in this project since [he got into politics].”

Eu disse a Nolen que todos sabiam que Aécio concorreria à presidência a partir do momento em que ele foi eleito governador de Minas Gerais, em 2003, até porque era claro que o grupo político dele tinha esse projeto. Disse ainda que houve uma adesão maciça de grupos políticos e econômicos tradicionais ao projeto presidencial de Aécio, desde então, principalmente em Minas Gerais.

A questão do DNA tem a ver com o fato de ele ser neto de Tancredo, que foi eleito presidente indiretamente, na redemocratização, mas morreu antes de assumir o cargo. Aécio começou na política com a avô, trilhou uma carreira política própria e tinha (ou tem) uma certa aura de “príncipe” que um dia seria alçado ao “trono”, para cumprir a sina da família de ocupar o cargo máximo da República, não consumada por Tancredo.

The Globe and Mail: The Brazilian private sector is backing him. But critics say Mr. Neves exaggerates his successes. (…) Yet those issues did not get close scrutiny in Minas Gerais, which Mr. Baeta, the filmmaker, attributes to the Neves administration’s intense manipulation of the press: outlets that did favourable coverage were rewarded with fat government advertising contracts, while those that were critical got angry visits from senior Neves aides. Reporters who did critical investigations in the early Neves government years were fired, he said, and those investigations stopped – which helped with the massive popularity rating. Mr. Neves‘ public image is carefully managed by his sister, Andrea Neves, his confidante and chief political strategist, who by all accounts is less able to let criticism roll over than he is.

Eu nunca afirmei nada sobre intensa manipulação da imprensa pelo governo Aécio. Meu vídeo não emitiu posicionamento editorial. São os entrevistados que relacionaram suas demissões com a publicação de notícias que teriam desagradado o governo Aécio. Foi também um entrevistado do vídeo, o então presidente do sindicato dos jornalistas mineiro, Aloísio Nunes, quem disse que havia corresponsabilidade entre o governo mineiro e os donos de veículos de comunicação pela não publicação de notícias criticas ao governo do tucano.

O objetivo principal do vídeo foi apurar a suposta relação entre as demissões de jornalistas com a publicação de notícias críticas ao governo Aécio, algo que os próprios demitidos e o sindicato dos jornalistas alegaram que teria ocorrido. Não afirmei nada quanto a uma possível relação entre isso e os gastos publicitários do governo, apesar de os entrevistados terem falado, eventualmente, sobre o assunto publicidade governamental.

O que falei para Nolen é que, por um lado, o governo Aécio tinha – e assumia que tinha – uma postura dura e atuante em relação à imprensa, no sentido de exigir sempre a divulgação do posicionamento do governo em assuntos a ele relacionados; e, por outro lado, que havia um investimento maciço em publicidade por parte do governo, o que alcançou seu ápice na campanha do “Déficit Zero” e do “Choque de Gestão”.

Quanto à afirmação de que sua irmã Andrea Neves seria menos propensa do que o próprio Aécio a aceitar o fluxo de críticas ao governo ao longo do tempo, discordo. Primeiro, porque o governador era ele. As críticas, abafadas ou não, foram a ele e ao governo dele. Quem foi eleito pelo povo para conduzir o governo foi ele. Não pode haver terceirização de responsabilidades quanto a isso.

Em segundo lugar, o próprio Aécio chamou para si a responsabilidade pela postura dura e atuante de seu governo em relação à imprensa, o que ocorreu nas declarações feitas por ele à revista “piauí”, de junho deste ano:

piauí: (…) É”primário, ridículo, absurdo” pensar que ele ou Andrea ordenem demissões, me disse Aécio. Alegou ser um dos personagens políticos “mais atacados pessoalmente e de forma leviana” pela mídia que é “sustentada com recursos do governo federal”. E completou: “Nunca liguei para diretor de jornal para criticar jornalista, quanto mais para pedir demissão. Eu posso até ligar para o jornalista e dizer: ‘Olha, está errada essa tua informação.’ Isso eu faço. Mas ligar porque o cara publicou algo contra mim? Zero”, finalizou, já com o tom de voz normalizado.

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Arquivado em Mídia, Política

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